sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


     Quanto mais velhos ficamos, mais as luzes do nosso passado, como as conhecíamos, cada uma delas, pessoas, objetos, lugares que habitavam nós mesmos – de todos os lugares, somos os maiores – vão se apagando, uma a uma... E ficaremos no escuro se não mudarmos de cômodo pra perceber que outras luzes já foram acesas. Viver é como estar numa casa sem que saibamos onde se encontram os interruptores. Seria então a velhice uma vela acesa no peitoril da janela? Mas não quero acreditar que a morte seja apenas uma casa no escuro – não, não. A morte é o olhar, talvez o último, quando, depois que o vento apaga a nossa vela, nos debruçamos na janela e descobrimos que dentro da noite escura podemos encontrar toda a luz de que precisamos. E que isso basta.